www.rm.co.mz

A+ A A-

Artigos

Maldita raça

Índice do artigo

 

19/09/2011

Por Policarpo Mapengo em O País

Raça tornou-se uma palavra maldita, acredita Luana Antunes Costa, que leu “ O Outro Pé da Sereia” e falou-nos dos modelos de literatura, entre a paixão que sentiu ao ler, do Brasil, “Niketxe”, de Paulina Chiziane.

Acabávamos de ler “Pelas Águas Mestiças da História: uma leitura de O Outro Pé da Sereia de Mia Couto”, onde Luana Costa faz um cruzamento de tempos para nos apresentar o escritor moçambicanos sem o repetido discurso de “reinvenção de língua”, que encontramos em diferentes estudos. Luana propunha-nos um outro olhar ao moçambicano. Ou melhor, propunha-nos uma outra atenção para a construção histórica de um país e desfazia com a mesma violência de cetim os conceitos de mestiçagem. Ou seja, retirava-as do homem para as revestir positivamente na humanidade. Pode ser pela necessidade que ela descobriu em entrevista de Samuel Rushen de “os povos terem de se conhecer”. 

Mas estávamos a falar de conceitos, quando nos encontrámos para uma entrevista que depois se transformou numa deslizante conversa. começámos a olhar para raça pelas posições tomadas por Kwame Anthony Appiah e por Mia Couto.

Para Appiah, “a verdade é que não existem raças: não há nada no mundo capaz de fazer tudo aquilo que pedimos que a raça faça por nós”. Mas para Mia Couto, a questão de raça está sempre presente e não se pode fugir dela. “Eu acho que essa questão de raça se coloca num quadro (...) como uma espécie de interrogação dos valores de identidade. Pode não só ser a raça, pode ser o sexo, pode ser a definição do que é uma nação, o que é uma identidade colectiva, mas a questão de raça também está presente, não vou fugir.” 

Antes de entrarmos nas profundezas do seu livro, que nos levaria a uma caminhada pela literatura universal, começámos por olhar estas duas ideias sobre raça e Luana chegou a uma conclusão: “Raça agora tornou-se uma palavra maldita.”

Olhando para o Brasil, onde o tema é muito debatido, como nos posicionamos em relação à raça, partindo da posição de Anthony Appiah, que nega a sua existência por nada poder fazer por nós, e de Mia Couto, que a assume? 
Esse tema de raça, assim como mestiçagem são assuntos do mundo. É um tema que está no quotidiano, nas ruas de qualquer lugar do mundo. Quando comecei a pesquisar a partir do texto de Mia Couto, “O outro Pé da Sereia”, senti que havia uma inquietação na escrita. Senti que ele voltava sempre para esse assunto, não só no “O Outro Pé da Sereia”, mas também nos outros livros. 
Em “cada homem é uma raça” esse assunto parece notório... 
Sim, que é um livro mais antigo. Foi a partir da literatura de Mia Couto que despertei mais para perceber que até no Brasil a ideia de que somos todos iguais, somos mestiços e que não há diferenças, é algo que nos foi ensinado. Aprendi isso na escola. Mas tenho meu irmão Rafael que é branco, e sempre senti, percebo na rua que há um tratamento diferenciado. Então, a questão de somos todos iguais tem aspas, porque no quotidiano as tensões existem e são constantes. 
O negar discutir a questão de raça como muitas das vezes tem acontecido não é uma forma de branquear a realidade? 
Acho que raça ficou uma palavra maldita, não se fala hoje. Existem metáforas. Vou falar de étnico. Agora a moda é o étnico. Vão usar outras palavras no lugar de raça. Quando estava a pesquisar esse romance de Mia Couto, a primeira coisa que me veio foi o que eu identifico ser um discurso da mestiçagem, que é um entrecruzamento das culturas, dos povos, das línguas, o conhecimento que se vai aprendendo com o outro nas trocas. Acredito que em “O outro Pé da Sereia” é isso que está muito forte nesses encontros. quando Mia busca um diálogo entre a ficção e o facto histórico, está a trazer em letras a experiência humana dos encontros. 
Como é que em “Outro Pé da Sereia” vai enaltecer-se essa mestiçagem?

Rádio Online - A. Nacional

Emissor Provincial de Gaza

Emissor Provincial de Sofala

RM Desporto

Tempo

Error: Unable to set cache write permissions.
See file DOCUMENTATION


Weather data OK.
Maputo
18 °C

Breves

Visit the new site http://lbetting.co.uk/ for a ladbrokes review.

Direcção de Informação:  email: dinfoweb@rm.co.mz; Fixo 21 42 99 08, Fax 21 42 98 26 | Rua da Radio N 2, P.O.Box 2000 | Rádio Moçambique, EP - 2015. Implementado por mozclique.com

Login or Register

LOG IN

Register

User Registration