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Não podemos viver com medo para sempre - Guebuza

Armando-emilio-guebuz-presidente-mocambiqueO presidente moçambicano, Armando Guebuza, reagiu quinta-feira aos confrontos armados entre a polícia moçambicana e elementos armados da Renamo em Muxungué, na província central de Sofala, vincando que o governo fez tudo ao longo dos últimos 25 anos para evitar essa confrontação, mas que nunca foi correspondido, e “nalgum momento se devia por termo ao medo, porque não é correcto que povo viva sempre assustado”.

Falando em Lilongwe, aos jornalistas moçambicanos que cobrem a visita de Estado de três dias que está a efectuar ao Malawi, Guebuza deixou entender nas suas respostas que em relação aos confrontos, que culminaram com o assassinato de quatro agentes da polícia, que já não se justifica que “o povo viva sempre assustado, e não saiba o que lhe pode acontecer amanhã”.

“Na verdade, é o que acontece pelo menos em algumas regiões do nosso país. Os seus habitantes sempre vivem assustados e não sabem o que lhes pode acontecer a qualquer momento’’, rematou Guebuza, numa clara referência ao medo que as repetidas ameaças de Dhlakama de reagrupar os seus antigos guerrilheiros inspiram no povo.

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Este sentimento faz-se mais sentir com maior intensidade no seio das populações residentes nas regiões tais como Maringué e Gorongosa, na província central de Sofala, onde a Renamo se instalou para tentar reagrupar mais homens armados numa clara violação ao Acordo de Roma, de 1992.

Este acordo pressupunha que a Renamo abdicasse do uso de homens armados para ameaçar os cidadãos ou prossecução dos seus objectivos.

Muito embora Guebuza tenha evitado dizer claramente que o seu governo já decidiu acabar coercivamente o medo constante que a Renamo foi inspirando sobre o povo, através da manutenção de um exército paralelo ilegal, o estadista moçambicano deixou bem claro que a opção agora “é forçar uma solução” para que o povo deixe de viver assustado.

Ele proclamou que ao longo destes 25 anos, “todos os esforços foram feitos para que se chegasse a uma solução pacífica, em que se evitasse o derramamento do sangue”.

“Ora, não é correcto que o nosso povo fique sempre assustado. Temos que encontrar uma solução”, vincou Guebuza após insistência dos jornalistas, mas evitando sempre admitir que o seu governo terá decidido enveredar pela via policial ou mesmo militar.

Mesmo quando a AIM o perguntou se havia chegado à conclusão de que só à força é que se pode acabar com estes homens armados, Guebuza limitou-se a responder que “essa pode ser a sua conclusão”, mas que “o que não é correcto, é o nosso povo viver sempre assustado”.

“Não pode”, vincou em tom mais sério, recordando depois que analisado a história do relacionamento entre o governo e a Renamo nos últimos 25 anos, após os Acordos de Roma, nunca foram de harmonia, mas sim, caracterizado por ameaças constantes contra o povo por parte da Renamo

Questionado se teria tentado se avistar novamente com Dhlakama, depois do fracasso das negociações que envolveram delegações do governo e a Renamo no ano passado em Maputo, Guebuza deixou entender que tudo foi feito para se evitar os últimos acontecimentos.

Deixou entender que estão errados os que tentam atirar as culpas ao governo, dizendo que o Executivo moçambicano tudo fez para evitar a presente situação, mas que a Renamo sempre optou pelo endurecimento das suas posições.

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Guebuza foi quem chefiou a delegação do governo constituída pelo antigo chefe de estado moçambicano, Joaquim Chissano, que em Roma negociou durante mais de dois anos consecutivos, o acordo de paz que viria a ser assinado a 4 de Outubro de 1992, e que pôs fim a guerra dos 16 anos.

Revelou que mesmo na qualidade de presidente de Moçambique, foi sempre difícil dialogar com o líder da Renamo, para dissuadi-lo a não optar pela violência, incluindo o seu último encontro com ele em Nampula há pouco mais de um ano, mas que ele sempre teve a tendência de voltar ao belicismo.

Guebuza deixou entender que Dhlakama pode ter optado por voltar às matas em Gorongosa, depois de se ter apercebido que mesmo com a fixação da sua residência na cidade de Nampula, não o ajudou a ser mais popular a ponto de ganhar as eleições como tudo indicava que era esse o seu objectivo.

Nos últimos dois anos, a Renamo decidiu não mais participar nos processos políticos que amiúde tiveram tido lugar no país, incluindo boicotar as eleições intercalares municipais realizadas o ano passado e agora as que terão lugar nos finais deste ano.

Na verdade, não só se recusa a participar, como ameaça inviabilizá-las à forca, o que terá sido a razão que levou agora o governo a optar por desmantelar coercivamente as forças que Dhlakama tem estado a re-criar há cerca de um ano se fixou de novo na sua antiga base de Gorongosa, a partir da qual tem emitido repetidas ameaças bélicas.

Tudo indica que o recurso ao desmantelamento dos campos da Renamo terá sido porque esta insistia em fazer exigências tidas pelo governo de impossíveis de se aceitar, como essa de que se devia dissolver o Executivo de Guebuza que, neste caso, resultou de eleições tidas por todos os observadores nacionais e estrangeiros, como tendo sido’’ democráticas, livres, transparentes e justas’’.

(RM/AIM)

 

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