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Guiné-Bissau: Apreendidas 36 toneladas de arroz na quinta de um ministro

Published in Mundo
terça, 09 abril 2019 17:11
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A Polícia Judiciária da Guiné-Bissau apreendeu, na segunda-feira, no âmbito da operação "Arroz do Povo" trinta e seis toneladas de arroz numa quinta do ministro da Agricultura do país, disse esta terça-feira fonte daquela corporação.

 

Segundo a mesma fonte, foram apreendidos 725 sacos de arroz num total de 36 toneladas na vila de Xalana, perto de Mansoa, que, segundo a PJ, é "propriedade do ministro da Agricultura", Nicolau dos Santos.

"Além de sacos de arroz, apreendemos alguns materiais agrícolas doados por parceiros da Guiné-Bissau", acrescentou a fonte da Polícia Judiciária guineense.

A PJ guineense desencadeou no início deste mês uma operação para recuperar arroz doado pela China e que já levou à apreensão de pelo menos 136 toneladas daquele alimento, base alimentar dos guineenses.

Além da apreensão feita na segunda-feira na quinta do ministro da Agricultura, a PJ já tinha apreendido outras tantas toneladas de arroz em armazéns em Bafatá alegadamente propriedade da empresa Cuba Lda, cujo dono é Botche Candé, antigo ministro do Interior do país.

Em declarações à imprensa, o inspector da PJ responsável pela operação, Fernando Jorge, disse que o arroz doado pela China estava a ser preparado para ser vendido no mercado.

"Só queremos mostrar a nossa determinação e dizer que esta investigação vai até ao fim. A China doou 104 contentores de arroz e agora vamos perceber a dinâmica de distribuição desse arroz", disse.

Na quinta-feira, após a primeira apreensão de arroz ter sido tornada pública, o ministro da Agricultura esclareceu que os armazéns onde se encontrava o arroz apreendido em Bafatá foram alugados pelo Governo e que o donativo doado pela China não tinha sido desviado.

A Lusa tentou contactar, esta terça-feira, o ministro da Agricultura e Botche Candé para obter reação sobre as apreensões feitas, mas até ao momento sem sucesso.

Num comunicado divulgado à imprensa, o primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, que se encontra em Washington, pediu à PJ para "prosseguir o inquérito visando situar as responsabilidades no descaminho verificado na distribuição do arroz doado pela República Popular da China".

A Liga Guineense dos Direitos Humanos referiu esta terça-feira, em comunicado, estar "vigilante e pronta para denunciar quaisquer manobras que visem impedir a PJ de prosseguir com as suas ações de investigação e, por conseguinte, obstruir a realização de justiça".

A organização não-governamental guineense sublinha também que "apoia" a investigação da PJ para esclarecer o destino dado ao arroz doado pela China.

"O combate sem tréguas contra a corrupção nas suas múltiplas dimensões constitui um passo importante em direção à moralização da sociedade e consequente resolução dos graves problemas sociais e económicos com que o país se depara", salienta. (RM-NM)

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