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Forças armadas do Sudão enfrentam segundo dia de desobediência civil

Published in Política
terça, 11 junho 2019 11:37
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Um segundo dia de desobediência civil foi cumprido ontem no Sudão, em resposta ao apelo do movimento de protesto pela crescente repressão dos generais no poder, que já causou mais de 100 mortes na última semana.

A agência France Press refere que, apesar do clima tenso, três opositores sudaneses que tinham sido presos na sequência da onda de repressão militar, foram libertados ontem, segundo noticiou a televisão estatal.Uma semana depois da sangrenta repressão do protesto realizado defronte do quartel-general do exército, algumas lojas reabriram em Cartum, embora a maior parte da capital permaneça deserta. Cortes de energia e da internet também dificultaram as comunicações.Alguns autocarros circularam na cidade, onde mais carros e transeuntes também eram visíveis em comparação com o que sucedeu domingo."Se eu trabalho, isso não significa que eu não apoie a revolução", explicou Abdulmajid Mohamed, um motorista de autocarro, justificando que tem de "trabalhar para sustentar minha família, pois caso contrário "não teria dinheiro."O Conselho Militar de Transição, que governa o Sudão desde a destituição do presidente Omar al-Bashir em 11 de Abril, anunciou no domingo à noite o envio de reforços militares para a capital para promover "um retorno à vida normal".As forças de segurança têm-se empenhado nos últimos dias para desmantelar as barricadas montadas pelos manifestantes, que continuam a exigir a transferência de poder para os civis.Entretanto, a televisão estatal sudanesa noticiou que Yasser Amran, um líder rebelde preso na última quarta-feira, foi libertado, assim como duas outras figuras do movimento, Mubarak Ardul e Ismail Jalab.Ardul e Jalab foram presos no dia seguinte à reunião com o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, que chegou a Cartum como mediador na sexta-feira.O anúncio de libertação ocorre no segundo dia do movimento de desobediência civil lançado pelo protesto contra o recrudescimento da repressão, que em apenas uma semana já matou 118 pessoas e causou mais de 500 feridos, a maioria durante a intervenção para dispersar a manifestação efectuada em 3 de Junho, segundo a estimativa de uma junta de médicos que acompanhou o incidente.O governo, por seu lado, estimou que 61 pessoas morreram, 49 delas vítimas de tiros disparados em Cartum.No domingo, primeiro dia do movimento de desobediência, a junta médica informou que quatro pessoas morreram, duas em Cartum e outras duas em Omdurman, cidade próxima da capital.Os militares têm responsabilizado os manifestantes pela deterioração da situação de segurança em Cartum e no país."A Aliança pela Liberdade e Mudança (ALC) é totalmente responsável pelos incidentes recentes e infelizes (...) incluindo a obstrução de estradas", disse o general Jamal Din Omar, membro do Conselho Militar, num discurso televisionado na noite de domingo."O Conselho Militar decidiu reforçar a presença das forças armadas (RSF) e de outras forças regulares para um retorno à vida normal", acrescentou.A RSF é acusada pelo manifestantes de estar na origem da intervenção violenta ocorrida durante o protesto diante da sede do exército.As forças de segurança vão garantir "segurança para civis isolados, reabrir estradas e facilitar a mobilidade de pessoas, transporte público e privado, e proteger mercados estratégicos e instalações estatais", assegurou o general Jamal el-Din Omar.No domingo, a tropa de choque interveio no bairro de Bahri, no norte da capital, disparando ar e gás lacrimogénio para dispersar manifestantes que, pela manhã, construíram barricadas com pneus, tijolos ou troncos de árvores.O protesto, lançado em Dezembro num contexto de uma grave crise económica, visa continuar até que o poder civil seja estabelecido.No final de Maio, uma greve geral de dois dias paralisou parcialmente o país.As conversas entre os militares e os líderes do protesto foram suspensas em 20 de Maio, com cada uma das partes a querer liderar a transição pós-Bashir."As partes (em conflito) precisam chegar a um entendimento, porque se a situação persistir, temo que perderemos o nosso país", comentou Issa Omar, uma funcionária de Cartum. (RM /NMinuto)

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