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"Se não mudarmos a nossa vida, podemos já não ter vida para mudar", lembra Guterres

Published in Recomendado
segunda, 02 dezembro 2019 17:06
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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lembrou que é necessária uma acção concertada na luta contra as alterações climáticas, incentivando os países a aumentarem o nível dos seus compromissos com o ambiente nos próximos dias.

 

António Guterres, que falava abertura da Cimeira do Clima, em Madrid, disse ser preciso rever o investimento em políticas ambientais, regulamentar os mercados de carbono, apoiar os países que sofrem com catástrofes ambientais e evitá-las sempre que possível.

Este e o desafio que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, deixa aos mais de 190 países presentes na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, que começa hoje, segunda-feira, em Madrid.

No discurso de abertura da cimeira, Guterres deu aos presentes duas opções: a inacção ou a luta contra as alterações climáticas, incentivando, no entanto, "o caminho da esperança".

António Guterres lembrou os relatórios das Nações Unidas sobre o ambiente, divulgados nos últimos dias, que alertavam para um nível histórico de emissões de gases na atmosfera.

É preciso reduzir mais de cinco vezes a quantidade de emissões, sob pena de as ondas de calor e das tempestades atingirem a Terra de forma irreversível. Se estas metas não forem ajustadas e cumpridas, a temperatura do planeta pode subir 3,2 graus centígrados neste século, deixando para trás o objectivo dos 1,5ºC.

"As consequências já se estão a fazer sentir. Se não mudarmos a nossa vida, podemos já não ter vida para mudar", afirmou António Guterres, que defendeu uma mudança concertada que envolva todos os intervenientes sociais.

"É necessário mudar a economia, o trabalho e os actos individuais. Se queremos a mudança, temos de ser a mudança. Não há tempo, nem razão para adiar a mudança. Temos a tecnologia e a ciência necessárias, só temos de mostrar a vontade", frisou.

E a COP25 (como e conhecida a Conferencia das Partes sobre as Alterações Climáticas) e o lugar para começar a dar passos nesse sentido.

O sucesso da reunião mundial depende das negociações que decorrerão nas próximas duas semanas e dos anúncios que se espera que os países façam para tornar mais ambiciosas as metas do Acordo de Paris (2015), insuficientes para travar a luta contra as alterações climáticas.

Na cimeira do próximo ano, que acontecerá em Glasgow, no Reino Unido, os países terão obrigatoriamente de rever as metas estipuladas no tratado assinado na capital francesa e Madrid será a primeira etapa para alcançar a mudança.

Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, anfitrião da cimeira com organização conjunta entre Espanha e o Chile (que deveria ter recebido a conferência, mas que cancelou por causa da onda de protestos que tem assolado o pais), já deu o primeiro passo.

Num discurso feito a seguir ao secretário-geral das Nações Unidas, Pedro Sánchez mostrou o empenho espanhol, anunciando que o país está preparado para duplicar a sua contribuição na redução das emissões de gases.

O chefe do governo espanhol afirmou que "há que ir mais longe e fazer as coisas mais rápido" em matéria de emissões poluentes, já que ou há um "ponto de inflexão" ou se entra em "ponto de não retorno".

Sánchez afirmou que "Espanha está pronta para dar um passo à frente" e vai aumentar "a taxa de redução de emissões" definida até 2030, tendo os olhos postos na cimeira de Glasgow, a sede da próxima Cimeira do Clima.

"Devemos chegar à cimeira de Glasgow 2020 com contribuições nacionais muito mais ambiciosas" e com estratégias de descarbonização a longo prazo "ordenadas, justas e eficientes", afirmou.

Pedro Sánchez manifestou a esperança de que a cimeira "marque um antes e um depois" e que faça de Madrid a "capital mundial na luta contra a emergência climática" e o multilateralismo, que na sua opinião terá de ser reforçado.

Sánchez enfatizou que "apenas alguns negam as evidências" das mudanças climáticas e que, neste momento, "não há alternativa senão agir com factos, com acções".

A batalha contra a emergência climática, defendeu, exige coragem e determinação, solidariedade e liderança e, acima de tudo, passar das palavras para a acção. (RM)

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