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“Como falar de ti, Marcelino?

Published in Breves
sexta, 14 fevereiro 2020 17:06

Como evocar-te tanto e tão bem como mereces, se ainda repercute em nós, insubstituível, o eco da tua voz amiga?

 

Como falar de ti, se era precisamente em ti, que tirávamos palavras mais adequadas, as ideias mais justas, para nos aproximarmos de nós próprios, da alma do povo, do coração e do mundo?” - Extracto do Elogio Fúnebre a Samora Machel, escrito por Marcelino dos Santos.

Como falar do homem charmoso, de fácil trato, sorriso simpático, assim, como era descrito Marcelino por sua filha mais velha, Ilundi dos Santos.

Marcelino, a quem daremos a cabeça de peixe, um fruto do mar que abunda no nosso velho Índico? A cacana que, incansavelmente, as mamanas buscam nas suas machambas? Quem beberá daquela água fervida com valores medicinais?

Ilundi contou, igualmente, que Marcelino Santos teria sido vítima de uma armadilha da PIDE - Polícia Internacional e de Defesa do Estado - a semelhança do que aconteceu ao fundador da Frelimo e arquitecto da unidade Nacional, Eduardo Mondlane.

Marcelino, sua filha Elhisa dos Santos, confidenciou-nos sobre as suas tardes, dialogando com a brisa da praia ao sabor da água de coco, como será daqui pra frente?

Um homem que, enquanto jovem, abriu mão dos seus sonhos e foi à luta para um bem comum.

Marcelino dos Santos lutou, mas não ensinou seus filhos a lutar. Quem ensinará então, a este Moçambique, o silenciar das armas e o valor dos livros e da educação? (RM)

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