
A Polícia fiscal malawiana, acusa dois antigos ministros, das Finanças, e Agricultura, juntamente com a ex-secretária da Presidência e do Gabinete, detidos na passada segunda-feira, de alegado cometimento de crimes de corrupção no desvio de 200 biliões de kwachas, cerca de 115 milhões de dólares.
Sosten Gwengwe, Sam Kawale e Collen Zamba, que serviram no governo de Lazarus Chakwera, estão a ser investigados por suspeita de abuso de poder, fraude, e branqueamento de capitais relacionados com contratos para o fornecimento de fertilizantes e comercialização do tabaco e soja atribuídos à East Bridge, uma empresa romena.
No cerne do caso está um acordo sombrio, em que uma empresa de processamento de carne, no Reino Unido recebeu um contrato de 750 milhões de kwachas para fornecer fertilizantes ao Malawi, um produto que nunca chegou ao país.
O segundo foco principal da investigação é a empresa romena East Bridge, que recebeu verbas do governo de Lilongwe, para comprar tabaco aos agricultores, no entanto, o dinheiro teria sido tratado como se fosse um fundo próprio da empresa, e não dinheiro do governo.
Sam Kawale, enquanto ministro da Agricultura, era responsável pelas políticas de fertilizantes, Sosten Gwengwe, enquanto ministro das Finanças, supervisionava as despesas do governo e Colleen Zamba, enquanto a Secretária de Estado era a funcionária pública mais poderosa, coordenando as decisões do conselho de ministros.
Alfred Chinthere é o vice porta-voz da Polícia malawiana.
A East Bridge recebeu anteriormente um gigantesco contrato de 350 milhões de dólares para o fornecimento de fertilizantes, um dos maiores da história do Malawi.
Investigações posteriores revelaram que, na altura da assinatura do contrato, esta empresa já tinha sido declarada falida na Roménia.
A mesma, enfrentava processos judiciais e dívidas não pagas na Europa, mas apesar disso, o antigo governo do Malawi não só prosseguiu com o acordo, como alterou o contrato enquanto o processo de insolvência decorria no estrangeiro.
Os documentos judiciais mostram também que os pagamentos relacionados com a entrega de fertilizantes foram feitos através de terceiros, incluindo um produtor zambiano e agentes malawianos, o que levanta sérias questões sobre a transparência, a propriedade e o cumprimento das leis de finanças públicas.
Os denunciantes afirmam que a empresa construiu relações de proximidade com indivíduos politicamente influentes, alimentando receios de captura do Estado. (RM Blantyre)



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