Bolsonaro pede anulação de votos por "desconformidades irreparáveis"

Publicado: 23/11/2022, 8:41
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A análise do Instituto Voto Legal (IVL), contratado pelo Partido Liberal (PL), verificou "evidências contundentes de mau funcionamento de urnas electrónicas".
O actual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, pediram a anulação dos votos registados em diversos modelos de urnas electrónicas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que ocorreram “desconformidades irreparáveis de mau funcionamento” nas eleições que ditaram Lula da Silva como o novo chefe de Estado do país, a 30 de Outubro.
“Todas as urnas dos modelos de fabricação UE2009, UE2010, UE2011, UE2013 e UE2015 apontaram um número idêntico de LOG, quando, na verdade, deveriam apresentar um número individualizado de identificação”, diz o documento, assinado pelo advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa, segundo a CNN Brasil. Em causa estão 352.125 urnas, de acordo com o canal.
A análise do Instituto Voto Legal (IVL), contratado pelo PL, verificou ainda “evidências contundentes de mau funcionamento de urnas electrónicas”, apontando que “apenas as urnas electrónicas modelo UE2020 é que geraram arquivos LOG com o número correto do respectivo código de identificação”.
Nessa linha, o documento alega que “é impossível correlacionar, univocamente, os dados ali registados com os eventos realmente ocorridos, sejam eles votos ou intervenções humanas”, apontando que Bolsonaro venceria a eleição com os votos das urnas UE2020 e a anulação dos restantes. A CNN Brasil detalha que este modelo tem 224.999 urnas, o que representa 40,82% do total.
Segundo o mesmo meio, todos os modelos em causa foram usados na primeira volta, que elegeu os cargos de governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
Ainda que o pedido possa não ter o resultado esperado para Bolsonaro, uma vez que a vitória de Lula da Silva foi reconhecida tanto no Brasil, como internacionalmente, a acção poderá alimentar os protestos contra a vitória do candidato do Partido os Trabalhadores (PT), que voltaram a ganhar força na semana passada, impulsionados pelo feriado nacional da instauração da República no Brasil.
Para colocar um ponto final aos protestos, considerados antidemocráticos por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), o juiz Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio de 43 contas bancárias de empresários que estariam a patrocinar e a apoiar os acampamentos em frente aos quartéis-generais que, passadas três semanas da estreita derrota de Bolsonaro, ainda persistem.
A investigação, ainda em curso, aponta que empresários cujas contas bancárias foram alvo do bloqueio estariam a actuar para financiar estes actos antidemocráticos e a disponibilizar uma estrutura completa, que inclui desde tendas, casas de banho e alimentação aos manifestantes.
De notar ainda que o Presidente brasileiro está há mais duas semanas em silêncio e com a agenda vazia, algo que o seu vice-presidente atribui a uma doença. (RM NMinuto)

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