Covid-19: Médicos nigerianos suspendem greve que durava há dois meses

Publicado: 04/10/2021, 16:44
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Os médicos dos hospitais públicos da Nigéria anunciaram esta segunda-feira o fim de uma greve, que durava há dois meses, devido à melhoria das suas condições de trabalho, revelou fonte médica.

 

Opresidente da Associação Nacional de Médicos Residentes (NARD, na sigla em inglês), Dare Ishaya, citado pela agência Associated Press, disse que os médicos irão retomar as atividades na quarta-feira, depois de "terem alcançado alguns resultados positivos" nas negociações com o Governo. 

Alguns médicos, com salários em atraso, já estão a ser pagos, todavia, segundo o presidente da NARD, "algumas das principais exigências que levaram à greve não foram ainda atendidas". 

Dentro das reivindicações incluem-se atrasos nos pagamentos de ordenados, alguns há mais de um ano, manutenção do subsídio mensal de risco sanitário no valor de 5.000 nairas nigerianas (10,46 euros), apenas revisto em 1991, o não cumprimento, em algumas regiões do país, do pagamento do salário mínimo nacional de 30.000 nairas (cerca de 63 euros) aos profissionais de saúde, e o cumprimento da promessa governamental de uma indemnização às famílias dos médicos que morreram na luta contra a covid-19.

Segundo Dare Ishaya, os médicos decidiram retomar os serviços, após uma pausa que se verificava desde agosto, porque o país enfrenta a terceira vaga da pandemia. "Cerca de 20 dos nossos colegas morreram em consequência da pandemia", adiantou. 

Os médicos nigerianos têm vindo a ameaçar com regularidade entrar em greve. Reclamam que não existem camas, medicamentos e 'kits' de proteção suficientes nas instalações hospitalares.

Em resposta, o Governo ameaçou substituir os médicos que não regressassem ao trabalho. 

Em 17 de setembro, o tribunal diferiu um pedido apresentado pelo Governo que ordenou aos médicos que cancelassem a greve, que tinha sido iniciada em 02 de agosto. Ambos continuam a negociar, mesmo que o caso ainda esteja em tribunal.

A Nigéria, um país de 200 milhões de pessoas, tinha 42.000 médicos generalistas registados em 2019, segundo a Associação Médica Nigeriana (NMA, na sigla em inglês), o que resulta numa média de dois médicos para cada 10.000 habitantes. 

Quando ocorreram os primeiros casos do novo coronavírus no país, em março de 2020, o médico Francis Faduyile, presidente da NMA, afirmou que "entre 70% e 80% das instituições de saúde pública não tinham água corrente ou água limpa suficiente para lavar as mãos".

O ministro da Saúde da Nigéria ainda não respondeu a todas as exigências.

Em 2021, o financiamento para o Ministério da Saúde foi apenas 4% de todo o orçamento nacional, ou seja 549,8 mil milhões de nairas (1,15 mil milhões de euros). Foram concedidos mais 70,2 mil milhões de nairas (147,54 milhões de euros) devido à pandemia, mas essa atribuição é ainda consideravelmente inferior à recomendação da União Africana para que os governos aumentem as despesas com os cuidados de saúde em 15% durante a pandemia. (RM-NM)

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