Moscovo garante estar a retirar militares, mas Ocidente desconfia

Publicado: 17/02/2022, 21:25
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A Rússia disse hoje que a retirada dos militares envolvidos nos exercícios perto da Ucrânia é um processo que leva algum tempo, numa altura em que o Ocidente desconfia dos anúncios russos e denuncia mesmo um reforço militar.

"O ministro da Defesa indicou que certas fases dos exercícios estão a chegar ao fim e que os soldados vão regressar às suas bases", disse hoje o porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov, em declarações aos jornalistas, sublinhando que se trata de "um processo demorado".
Segundo lembrou, o envio de tropas -- feito em Dezembro para manobras militares terrestres, aéreas e marítimas em redor do território ucraniano -- também demorou várias semanas.
Estes militares "não podem simplesmente sair todos de uma só vez. É preciso tempo para isso", insistiu Peskov, assegurando que o Ministério da Defesa russo tem um "calendário" para a retirada.
Desde terça-feira, a Rússia tem assegurado que está a realizar uma retirada parcial das suas tropas posicionadas nos arredores da Ucrânia, com os ocidentais a encararem os anúncios de Moscovo com cautela e com muita desconfiança.
Por exemplo, o secretário-geral da NATO disse hoje que, "apesar das declarações de Moscovo", a organização não viu "até agora qualquer sinal de retirada" das tropas russas das zonas fronteiriças com a Ucrânia, parecendo antes registar-se um aumento das forças.
"Não vimos até agora qualquer sinal de retirada ou de desanuviamento. Pelo contrário, a acumulação [de forças e meios militares] da Rússia parece continuar. Exortamos a Rússia a fazer o que diz, e a retirar as suas forças das fronteiras da Ucrânia", declarou Jens Stoltenberg, numa conferência de imprensa no final de uma reunião de dois dias dos ministros da Defesa da Aliança Atlântica, em Bruxelas.
Principais dados disponíveis, até à data, sobre o destacamento massivo de militares russos que está no centro da crise russo-ocidental e ameaça degenerar numa guerra na Ucrânia, segundo informações reunidas pela agência France-Presse (AFP):
Quantos são e onde estão?
Desde Dezembro que Moscovo tem anunciado uma série de manobras militares terrestres, aéreas e marítimas na zona da Ucrânia.
Actualmente, a Rússia tem um número considerável de soldados em território russo fronteiriço, na Bielorrússia, na (península) Crimeia anexada e no Mar Negro, ou seja, nas fronteiras leste, norte e sul da Ucrânia.
A Rússia nunca informou sobre quantos militares estão nestas regiões, pelo que os únicos dados disponíveis são os apresentados pelos países ocidentais, que se baseiam principalmente em imagens de satélite.
As estimativas dos últimos dias oscilam entre "bem mais de 100.000" soldados russos, segundo a NATO, e "mais de 150.000", segundo o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden.
Além disso, a Rússia também enviou para os locais equipamentos pesados, incluindo tanques, mísseis e baterias de defesa aérea.
Os russos terão também, e de acordo com o Ocidente, instalado equipas médicas nas regiões em causa e transportado grandes reservas de combustível, ou seja, elementos necessários para estabelecer linhas de abastecimento em caso de invasão.
A maioria das imagens disponíveis tem como fonte testemunhos divulgados nas redes sociais, que, ao longo de várias semanas, têm mostrado gravações de tanques estacionados à beira de aldeias fronteiriças ou mesmo comboios carregados de equipamentos militares a cruzar a Rússia de leste a oeste.
A retirada é verdadeira ou falsa?
Desde terça-feira, Moscovo tem anunciado o regresso a casa de várias unidades militares. Hoje mesmo, o Ministério da Defesa mostrou imagens de camiões militares carregados num comboio e a deixar a Crimeia, tendo também anunciado a retirada de um número indeterminado de tanques da Rússia ocidental.
A Bielorrússia, aliada da Rússia, prometeu, sem quantificar, que todos os soldados russos destacados num exercício militar conjunto que está a decorrer em território bielorrusso deixarão o país no final dos exercícios, a 20 de Fevereiro, mas essa garantia tem sido alvo de desconfiança por parte dos ocidentais.
"Sabemos agora que isso é falso", disse, na quarta-feira à noite, um alto responsável da Casa Branca, sob anonimato, acusando Moscovo de ter, pelo contrário, enviado mais "até 7.000" soldados para as proximidades da Ucrânia.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sublinhou que não viu até agora nenhuma retirada, apenas "pequenas rotações".
O que é necessário para reduzir a tensão?
O especialista militar russo Pavel Felgenhauer não descarta que "os anúncios de retirada de tropas da Rússia visam (...) desorientar a NATO e os Estados Unidos para criar um efeito surpresa estratégico", mas julga mais provável que esteja a ser feito, de facto, uma redução da escalada do conflito, embora "de forma muito lenta".
Segundo este especialista, a transição de uma fase de "prontidão para combate para um estado mais pacífico levará mais de um mês".
Os ocidentais, liderados pelos norte-americanos, continuam a insistir na possibilidade de estar iminente uma invasão russa da Ucrânia.
A Rússia nega qualquer objectivo de agressão à Ucrânia, uma ex-república soviética que o Presidente russo, Vladimir Putin, teme ver entrar na NATO.
Moscovo tenta apresentar as suas operações como exercícios de rotina, mas o destacamento para perto da Ucrânia de unidades normalmente estacionadas no Extremo Oriente, do outro lado do país, sugere a preparação de um ataque.
O regresso aos quartéis de origem, que ficam a uma distância de 5.000, 6.000 ou mesmo 8.000 quilómetros da alegada frente da invasão dará um sinal tranquilizador.
Outro sinal de diminuição da tensão seria um regresso ativo das negociações de paz sobre o conflito no leste da Ucrânia.
No entanto, esta semana, a câmara baixa do parlamento russo (Duma) pediu a Putin que reconheça a independência das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, onde separatistas pró-Rússia lutam contra as forças ucranianas desde 2014.
O apelo da Duma foi encarado com preocupação pelos ocidentais.
A Ucrânia também foi alvo de um ciberataque na terça-feira, que afectou os sites oficiais do Ministério da Defesa ucraniano, das Forças Armadas e de dois grandes bancos estatais. Kiev apontou um dedo acusador a Moscovo, que, mais uma vez, nega qualquer envolvimento.
Especialistas militares acreditam que uma ofensiva militar russa pode ser precedida por uma enorme sabotagem digital. (RM /NMinuto)

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