Primavera Árabe. 10 anos depois a Líbia continua mergulhada no caos

Publicado: 14/02/2021, 19:42
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Dez anos depois do início da revolução que derrubou Muammar Kadhafi, a Líbia ainda não conseguiu sair do caos e os líbios, exaustos, continuam privados dos imensos recursos energéticos do país.

O movimento de revolta conhecido como Primavera Árabe tinha partido da vizinha Tunísia, em Janeiro, e inflamou a região do Norte de África e do Médio Oriente.
"Em várias cidades", as pessoas "saíam espontaneamente" para as ruas, por "solidariedade", contou à agência France-Presse um cidadão líbio, adiantando que "no início da revolta não se tratava de derrubar o regime (...), apenas de ter um pouco mais de liberdade, de justiça e de esperança".
O entrevistado considera que a revolução "era necessária" e diz que ainda acredita nela, "embora 10 anos depois o país esteja ainda mergulhado na guerra, na violência e na confusão".
Após anos de impasse no país dividido em dois campos, foram conseguidos progressos políticos "tangíveis" nos últimos meses, segundo o secretário-geral da ONU.
Acordou-se um cessar-fogo, registou-se uma recuperação na produção de petróleo e foi designado um primeiro-ministro interino, Abdel Hamid Dbeibah, para assegurar a transição até às eleições marcadas para dezembro.
Mas os desafios são colossais depois de 42 anos de ditadura e de uma década de violência, que se seguiu à intervenção internacional com cobertura da NATO desencadeada em Março de 2011 e concluída em Outubro do mesmo ano com a morte do "Guia" Kadhafi, perseguido até ao seu feudo de Sirte.
A Líbia continua minada pelas lutas de poder, a forçadas milícias, a presença dos mercenários estrangeiros, assim como a corrupção. As infra-estruturas foram arrasadas e os serviços falham.
Na anarquia, o país tornou-se a placa giratória do tráfico de pessoas no continente. Dezenas de milhares de migrantes vindos da África subsaariana em busca do "El Dorado" europeu são vítimas dos traficantes, muitos morrem a tentar atravessar o Mediterrâneo.
Por outro lado, existem dezenas de milhares de deslocados e numerosos exilados que regressaram em 2011 para participar na construção democrática do país voltaram a partir.
"Dez anos depois da revolução, a Líbia é um Estado ainda mais desfigurado do que era com Kadhafi", considera Emadeddin Badi, especialista da Iniciativa Global, sediada em Genebra.
"A situação é catastrófica para a população devido aos repetidos conflitos e às divisões", lamenta Mazen Kheirallah, 43 anos, funcionário da Companhia Nacional de Electricidade em Zawiya (oeste de Tripoli).
O país com as maiores reservas de petróleo de África tem a economia em "depressão" depois de uma década de conflito. Em Dezembro a produção atingiu os 1,2 milhões de barris/dia, quando há 10 anos era de 1,5 a 1,6 milhões de barris diariamente.
Com o dia-a-dia pontuado pela escassez de liquidez e gasolina, cortes de energia e inflação, os líbios "vão ficando cada vez mais pobres", sublinha Emadeddin Badi.
"Com o aumento contínuo dos preços já não podemos viver dignamente", refere Mazen Kheirallah, adiantando que a situação ainda se agravou com a pandemia de covid-19.
E alguns analistas não estão optimistas quanto ao futuro.
"A situação estabilizou-se à superfície, mas o ímpeto diplomático é mais um subproduto de uma reticência momentânea em continuar a guerra do que um desejo real de chegar a uma solução", considera Bari.
"Se olharmos para o número de líbios mortos diariamente, caiu muito. Mas no plano político (...) superámos as dificuldades? De modo nenhum", afirma o investigador Jalel Harchaoui, assinalando que "a população está muito infeliz" e que "as elites são indiferentes ao (seu) sofrimento". (RM /NMinuto)

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