Relatório da OMS é "passo útil" mas é necessário "mais trabalho", diz UE

Publicado: 30/03/2021, 20:45

A União Europeia (UE) considerou hoje que o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a origem do novo coronavírus é um "primeiro passo útil", mas adiantou ser necessário "mais trabalho".

"Apesar de lamentar o início tardio da investigação, o atraso no destacamento dos peritos e a disponibilidade limitada das primeiras amostras e dados relacionados, consideramos o trabalho feito até agora e o relatório publicado hoje como um primeiro passo útil", lê-se numa nota do Serviço Europeu de Acção Externa (SEAE) em nome da UE.
A UE reagia assim à publicação do relatório da equipa de especialistas da OMS que investigou a origem da covid-19 e que determinou que a cidade de Wuhan e o mercado de Huanan, na China, não podem ser considerados como o ponto de origem da pandemia.
Apelando a que a OMS "continue as suas investigações", o SEAE frisa que "mais trabalho deverá ser feito para perceber as origens" da covid-19 e a sua "introdução na população humana".
"Isso exigirá um acesso maior e mais atempado a todas as localizações relevantes e a todos os dados humanos, animais e ambientais disponíveis, incluindo dados sobre os primeiros casos de covid-19 identificados e casos recolhidos por sistemas de vigilância, assim como uma maior testagem serológica de amostras de sangue", aponta o SEAE.
O bloco salienta ainda que "a saúde mundial é uma responsabilidade comum de todos os Estados-membros da OMS", precisando que "qualquer falta ou atraso na partilha de informação sobre a saúde pública pode ter efeitos adversos a nível global".
"Apelamos a todos os Estados-membros para que continuem a partilhar informação sobre saúde pública com a OMS assim que esteja disponível (...). A identificação da origem do vírus SARS-CoV-2 irá exigir uma cooperação plena e transparente por parte de todos os Estados-membros da OMS e um esforço de colaboração por parte de cientistas de várias disciplinas", afirmam.
Manifestando-se "plenamente empenhada" em continuar a trabalhar "com todos os países da comunidade internacional" no que se refere às "maneiras de melhorar as missões no terreno no que se refere à covid-19, mas também a futuras emergências sanitárias", a UE diz também que irá "continuar a apoiar o fortalecimento da preparação internacional e da reposta às pandemias".
"Uma melhor compreensão do vírus, incluindo sobre as suas origens, é também essencial nesse aspecto: em última análise, a preparação para as pandemias não é apenas sobre as capacidades de resposta, é, acima de tudo, sobre a maneira como os países agem quando uma ameaça surge", referem.
A UE pede assim à OMS que apresente um "calendário claro" sobre as próximas fases da investigação, afirmando que deseja ser "informada sobre os planos e os progressos da próxima fase".
O bloco "encoraja" também as "autoridades relevantes" a "colaborar plenamente" e a dar um "apoio contínuo" às equipas da OMS, adiantando que "uma tal abordagem" poderá ajudar os "esforços comuns da comunidade internacional" e permitir que "quaisquer lacunas nos dados necessários para aprofundar a investigação possam ser colmatadas".
"Só através de uma análise profunda das origens do vírus e da sua transmissão para a população humana é que poderemos compreender e controlar melhor esta pandemia, assim como prevenir e preparar-nos melhor para futuras emergências sanitárias", lê-se.
O relatório da equipa de cientistas da OMS que investigou a origem do coronavírus concluiu hoje que a cidade de Wuhan e o mercado de Huanan, na China, não podem ser considerados como ponto de origem da pandemia.
A investigação realizada por estes especialistas indica que houve casos iniciais que nada tinham a ver com o mercado Huanan, em Wuhan, e que agora se sabe que, em Dezembro de 2019, houve uma transmissão considerável do vírus na comunidade que também não pode ser associada àquele lugar.
Estas informações "sugerem que aquele mercado não foi a fonte do surto", afirma o relatório.
Esta é a primeira conclusão da missão internacional de 17 cientistas, que trabalharam com uma equipa composta pelo mesmo número de especialistas chineses, numa visita de 28 dias a Wuhan, metade dos quais foram passados pelo primeiro grupo em quarentena.
O local de onde o coronavírus SARS-CoV-2 se espalhou inicialmente permanece um mistério, porque, apesar de o mercado não estar totalmente descartado, não há provas suficientes de que a crise sanitária causada pela covid-19 tenha começado ali.
Os cientistas apontaram também que estudos de diferentes países sugerem que o SARS-CoV-2 pode ter circulado várias semanas antes de o primeiro caso ser detectado em Wuhan.
Isto pode sugerir "a possibilidade de uma circulação ignorada em outros países", referem os cientistas, que consideram importante conhecer estes casos anteriores.
Uma das narrativas mais comuns das autoridades chinesas é que o vírus não se espalhou pelo mundo a partir de Wuhan, mas tendo começado noutro lado.(RM/ NMinuto)

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