ONU alerta para crise "descontrolada" e "chocante" no Médio Oriente

Publicado: 16/05/2021, 17:58
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O conflito israelo-palestiniano pode transformar-se numa crise "descontrolada" humanitária e de segurança, com consequências extremas em toda a região do Médio Oriente, alertou hoje o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), descrevendo um cenário "chocante".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu, numa reunião virtual de urgência do Conselho de Segurança da ONU dedicada ao Médio Oriente, uma "carnificina" e hostilidades "terríveis", considerando que a violência "empurra para mais longe o horizonte de qualquer esperança de coexistência e paz".
"Reunimo-nos durante a escalada mais séria [no conflito] entre Gaza e Israel em anos", começou por dizer o secretário-geral da ONU, que expressou profunda preocupação com os "violentos confrontos entre as forças de segurança israelitas e civis palestinianos em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental".
O secretário-geral da ONU alertou que existe potencial de se desencadear "uma crise de segurança e humanitária descontrolada" com consequências de maior extremismo não só para Israel e territórios palestinianos ocupados, como para toda a região.
O antigo Alto-comissário da ONU para os Refugiados teme que os combates "arrastem israelitas e palestinianos para uma espiral de violência com consequências devastadoras, potencialmente criando um novo foco de instabilidade perigosa".
"O único caminho a seguir é retornar às negociações com o objectivo de dois Estados, vivendo lado a lado em paz, segurança e reconhecimento mútuo, tendo Jerusalém como a capital de ambos os Estados, com base nas resoluções pertinentes da ONU, direito internacional e acordos prévios", declarou António Guterres.
O responsável mostrou-se "chocado" com o número "cada vez maior" de vítimas civis palestinianas, incluindo mulheres e crianças, em Gaza, após ataques aéreos israelitas e deplorou as fatalidades em Israel por 'rockets' lançados de Gaza.
Guterres declarou que "as hostilidades obrigaram milhares de palestinianos a deixar as suas casas em Gaza e procurar abrigo em escolas, mesquitas e outros lugares com acesso limitado a água, comida, higiene ou serviços de saúde", ao mesmo tempo que os hospitais já estão "sobrecarregados" devido à pandemia de covid-19.
"Enquanto isso, civis israelitas vivem com medo de foguetes lançados de Gaza", acrescentou.
Guterres disse que a ONU está envolvida activamente com todas as partes do conflito para promover um cessar-fogo imediato e insistiu que o combate, "este ciclo sem sentido de derramamento de sangue, terror e destruição" devem "parar imediatamente".
"'Rockets' e morteiros de um lado e bombardeamentos aéreos e de artilharia do outro devem parar", acrescentou também António Guterres.
"A violência por grupos de estilo vigilante e turbas em Israel acrescentou uma dimensão terrível a uma crise já em deterioração", considerou Guterres.
O secretário-geral da ONU apelou para que os líderes das partes em conflito usem a sua "responsabilidade de conter a retórica inflamatória e acalmar as tensões crescentes", declarando também que todas as partes devem respeitar o direito internacional humanitário.
Assim, Guterres pediu também protecção e liberdade de movimentos aos jornalistas e manutenção do respeito pelo 'status quo' dos locais sagrados.
"Somente uma solução política sustentável negociada vai encerrar, de uma vez por todas, estes ciclos devastadores de violência e levará a um futuro pacífico para palestinianos e israelitas", concluiu o secretário-geral da ONU.
Os actuais combates provocaram já perto de duas centenas de mortos, maioritariamente do lado palestiniano, e são considerados os mais graves desde 2014.
Os combates começaram em 10 de maio, após semanas de tensões entre israelitas e palestinianos em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do islão, junto ao local mais sagrado do judaísmo.
Ao lançamento maciço de 'rockets' por grupos armados em Gaza em direcção a Israel opõe-se o bombardeamento sistemático por forças israelitas contra a Faixa de Gaza. (RM /NMinuto)

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