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Tribunal egípcio condena à morte 12 membros da Irmandade Muçulmana

segunda, 14 junho 2021 18:59
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Um tribunal egípcio condenou, esta segunda-feira, à morte 12 membros do grupo radical islâmico Irmandade Muçulmana, considerada uma organização terrorista do Egipto desde o verão de 2013, avançaram esta segunda-feira fontes judiciais citadas pela AFP.

 

Dois dos condenados à morte são líderes no Egito da Irmandade Muçulmana, que esteve no poder naquele país durante um breve período, mas que está atualmente quase extinta.

Apesar de confirmar a pena a estes 12 membros, o tribunal decidiu reduzir as sentenças de morte a 31 outros membros da Irmandade, acusados de participarem numa manifestação islâmica realizada no Cairo em 2013, onde centenas de pessoas foram mortas pelas forças de segurança.

Estes 31 membros do grupo islâmico viram as suas penas reduzidas para prisão perpétua, referiu um responsável do tribunal.

Os condenados à morte foram acusados de "terem armado gangues de criminosos que atacaram moradores, de resistirem à polícia e de estarem na posse de armas de fogo e munições, além de equipamentos para fabrico de bombas", refere a sentença do tribunal.

Além disso, foram também acusados de "homicídio de polícias", de "resistência às autoridades" e de "ocupação e destruição de bens públicos".

De acordo com o mesmo responsável do tribunal, as decisões judiciais desta segunda-feira já não são passíveis de recurso.

A Irmandade Muçulmana foi retirada do cenário político em 2013, após um dos seus membros - Mohamed Morsi - ter passado cerca de um ano no poder.

Apesar de ter sido o primeiro Presidente eleito democraticamente no Egito após a revolta popular de 2011, Morsi foi deposto pelo exército, então liderado pelo marechal Abdel Fattah al-Sissi -- que, entretanto, se tornou Presidente -, na sequência de várias manifestações.

O caso, que data de 2013 e é conhecido localmente como o "caso da dispersão do protesto de Rabaa", contou inicialmente com mais de 600 arguidos.

Rabaa refere-se a uma praça no leste do Cairo, onde as forças de segurança atacaram violentamente e mataram centenas de pessoas num único dia, durante um grande protesto islâmico a favor do regresso de Morsi ao poder.

Em 2018, um tribunal egípcio condenou 75 participantes desta manifestação à morte e outros a várias penas de prisão, como o filho de Morsi, Osama, condenado a uma pena de 10 anos de prisão.

A dispersão desta reunião, que aconteceu algumas semanas após a demissão de Mohamed Morsi, foi descrita pela organização Human Rights Watch como "a mais importante matança em massa da história moderna do Egito".

Na altura, as autoridades indicaram que membros da Irmandade Muçulmana estavam armados e que a dispersão tinha constituído uma operação de contraterrorismo. (RM-NM)

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