
O renomado saxofonista e compositor moçambicano, Moreira Chonguiça, visitou, esta segunda-feira, as instalações do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda - um encontro que marcou o início de uma colaboração artística de peso para o evento.
O músico, conhecido por fusionar jazz com sonoridades africanas, aceitou oficialmente o convite para colaborar na produção e na amplificaçãoda cultura de paz e da próxima edição do Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz e Não-violência – Bienal de Luanda.
Durante a visita, Chonguiça teceu elogios à iniciativa da Bienal, sublinhando o seu carácter transversal. "A arte não é estática, é dinâmica", declarou, enfatizando o papel da cultura como motor de transformação social.
O artista vinculou a sua participação a uma causa primária: a promoção da paz, do diálogo e da tolerância. "É melhor prevenir do que remediar", afirmou, sugerindo que a cultura deve ser uma ferramenta de prevenção de conflitos.
O saxofonista estabeleceu uma ponte directa entre a sua arte e a realidade do seu país. "Moçambique hoje é bastante referenciado pelos recursos minerais na província de Cabo Delgado, mas ao mesmo tempo também se fala da insurgência e possivelmente do terrorismo", observou. Perante este contexto, propõe "usar o jazz, a música no geral, para de alguma maneira influenciar a juventude".
Chonguiça fundamentou a urgência desta missão com dados demográficos: "Nós somos oito mil milhões de pessoas no mundo, mas 80 a 90% da população é jovem e em Moçambique cerca de 50% tem entre 0 e 25 anos".
Para ele, é crucial "usar referências positivas e esforçar para que certos valores não sejam corrompidos, especialmente neste momento com a evolução rápida da tecnologia".

Ao aceitar o convite, feito pessoalmente pelo Coordenador do comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, embaixador Diekumpuna Sita José, o artista expressou profunda honra. "Sentimo-nos honrados e lisonjeados", afirmou, comprometendo-se a usar a sua música e a sua influência para dar maior visibilidade aos ideais da Bienal de Luanda, que promove a cultura de paz e o diálogo entre gerações e continentes.
A integração de Moreira Chonguiça na próxima Bienal de Luanda promete, assim, não só elevar o patamar artístico do evento, mas também reforçar a sua mensagem central, utilizando a linguagem universal do jazz e da música para engajar a juventude africana numa reflexão sobre paz, identidade e futuro.
Na ocasião, o saxofonista, que é líder de uma fundação em Moçambique, disse que gravou uma música para a União Africana, que está trancada e será publicada apenas em 2063, ano previsto para o término da implementação da Agenda 2063, da União Africana.
No encontro, o coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda prestou informações sobre os objectivos do Fórum vocacionado à prevenção da paz através de diversos recursos, entre os quais, a cultura, a ciência, a tecnologia, a arte e o desporto.
Deu a conhecer que este ano será realizada a 4ª edição da Bienal de Luanda, em Outubro, cujo lema é “O valor da Água: Governança da Água como Ferramenta de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, escolhido em alinhamento com o tema anual da União Africana para 2026 – “Assegurar a Disponibilidade Sustentável de Água e Sistemas de Saneamentos Seguros para Alcançar os Objectivos da Agenda 2063”.
Fonte: Bienal de Luanda



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