
O Governo de transição da Guiné-Bissau nomeado hoje integra seis militares titulares das pastas relacionadas com a Defesa, Ordem Pública e Saúde, segundo o decreto presidencial, a que a Lusa teve acesso.
Por decisão do Presidente da República de Transição, o general Horta Inta-A, entram para o Governo Mamasaliu Embalo, como ministro do Interior e Ordem Interna, Steve Lassana Mansaly, ministro da Defesa Nacional, Quinhin Nantote, ministro da Saúde, Salvador Soares, secretário de Estado da Ordem Pública e Carlos Mandungal, secretário de Estado dos Combatentes.
O novo ministro do Interior, Mamasaliu Embalo, era até aqui comandante do batalhão dos Comandos, Lassana Mansaly inspector-geral do Ministério da Defesa, Quinhin Nantote, director da medicina militar.
Salvador Soares era até agora comissário nacional da Polícia de Ordem Pública (POP) e Carlos Mandungal é o antigo comandante da Marinha de Guerra guineense.
Do novo executivo fazem também parte nomes do Governo deposto pelos militares, nomeadamente Carlos Pinto Pereira que deixa os Negócios Estrangeiros e passa para a Justiça e Direitos Humanos, e José Carlos Esteves, que continua na pasta das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo.
Fatumata Jaú também se mantém no Governo com o pelouro da secretaria de Estado da Cooperação Internacional, assim como os secretários do ministério das Finanças, Mamadu Baldé, continua no Tesouro e Elísio Gomes Sá, no Orçamento e Assuntos Fiscais.
O novo ministro dos Negócios Estrangeiros é o advogado e candidato às últimas eleições presidenciais, João Bernardo Vieira, das fileiras do PAIGC que avançou para a corrida eleitoral como independente com críticas ao partido que decidiu apoiar outro candidato, Fernando Dias.
O Governo de transição hoje nomeado e empossado tem um total de 23 ministros e cinco secretários de Estado.
O ministro da Presidência de Conselho de Ministros e dos assuntos parlamentares é Usna António Quadé, um economista que já integrou um governo guineense como secretário de Estado do Tesouro.
O novo ministro dos Recursos Naturais é Celedonio Vieira, que presidia à estatal dos petróleos guineenses, a Petroguin, e Florentino Mendes Pereira, antigo secretário-geral do Partido de Renovação Social (PRS), vai liderar a pasta dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital.
Seis mulheres integram o governo, sendo que a ministra do Desporto, Juventude e Cultura, Juelma Cubala, é a esposa do antigo primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam.
As outras mulheres do governo são: Khady Florence Dabo Correia, ministra da Mulher e Solidariedade Social, Catarina Raquel Mendonça Taborda, ministra de Turismo e Artesanato, Assucénia Nesbi Emilia Seide Donate de Barros, ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Virgínia Maria da Cruz Godinho Pires Correia, ministra das Pescas e Economia Marítima e Fatumata Jaú, secretária de Estado da Cooperação Internacional e das Comunidades.
Mamadú Badji é o ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, já foi ministro da Agricultura e director do grupo Malaika, cujo proprietário é o ex-primeiro-ministro, agora deposto, Braima Camará.
A activista e antiga secretária de Estado do Turismo e Artesanato Catarina Raquel Mendonça Taborda é a ministra de Turismo e Artesanato e com a pasta da comunicação social fica Abduramane Turé, jornalista e actual director da Rádio África FM, cujo proprietário é Umaro Sissoco Embaló, o Presidente deposto.
Fazem ainda parte do Governo de transição Mamadú Mudjetaba Djaló, ministro da Economia Plano e Integração Regional, Amadu Uri Guissé, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural e Augusto Idrissa Embalo, ministro do Ambiente e Ação Climática.
O novo MNE e outros cinco elementos do novo Governo são dirigentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), mas que se incompatibilizaram com o líder, Domingos Simões Pereira, nomeadamente Carlos Nelson Sano, ministro da Administração Territorial e do Poder Local, José Carlos Esteves, ministro das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo, Mário Muzante da Silva Loureiro, ministro da Energia, Jaimentino Có Ministro de Comércio e Indústria e Carlos Pinto Pereira, ministro da Justiça e Direitos Humanos.
O novo Governo guineense foi nomeado pelo Presidente da República de Transição, o general Horta Inta-A, empossado pelos militares que tomaram o poder a 26 de Novembro, na Guiné-Bissau.
Os militares destituíram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que deixou o país, e suspenderam a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de Novembro.
O general Horta Inta-A anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.
As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem participação do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.
Dias tinha reclamado vitória na primeira volta sobre o Presidente Embaló, candidato a um segundo mandato. A divulgação dos resultados oficiais das eleições estava agendada para quinta-feira, 27 de Novembro.
Simões Pereira foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais. (RM NMinuto)



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