
Alex Saab é conhecido por ser o testa de ferro de Nicolás Maduro e, à semelhança do antigo presidente da Venezuela, foi detido numa operação que envolveu os EUA, esta quarta-feira. Saab, de 54 anos, foi ministro de Maduro e estará a caminho dos EUA (onde já cumpriu pena).
O antigo ministro da Indústria do governo de Nicolás Maduro, Alex Saab, foi detido, esta quarta-feira, em Caracas, no âmbito de uma operação conjunta entre os EUA e a Venezuela, com envolvimento do FBI. Saab, considerado o testa de ferro de Maduro, foi demitido pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, há cerca de três semanas.

A informação, avançada pela Reuters, dá conta de que o aliado de Maduro vai ser extraditado para os Estados Unidos nos próximos dias.
Um oficial norte-americano citado pela agência de notícias sublinhou ainda a extrema importância que teve a cooperação do governo interino liderado por Delcy Rodríguez, que controla as forças de segurança.
Durante a mesma operação foi também detido Raúl Gorrín, dono da emissora venezuelana Globovision.
Quem é Alex Saab?
Saab, de 54 anos, tem dupla nacionalidade, tendo nascido na Colômbia. Para além de ter sido um aliado de Maduro quando este era o líder da Venezuela, é também conhecido por ter trabalhado no ramo empresarial.
Fortaleceu os seus primeiros vínculos com o governo venezuelano ainda nos últimos anos de Hugo Chávez, que esteve na liderança de 1999 até 2013, antes de Maduro.
Não é, no entanto, a primeira vez que Saab está detido. Ganhou alguma notoriedade quando, em 2020, foi detido em Cabo Verde por acusações de suborno. Cumpriu pena durante três anos sob custódia de Washington, mas fez depois um acordo para a sua libertação e regresso à Venezuela, que envolveu a libertação de norte-americanos que estavam detidos no país sob o comando de Maduro.
Já aquando a libertação, as autoridades norte-americanas acusaram-no, no entanto, de desviar cerca de 250 milhões de dólares da Venezuela, através de um esquema relacionado com o controlo estatal de câmbio. Saab sempre negou as acusações de branqueamento de capitais, alegando imunidade diplomática. Defensores do regime de Maduro diziam que as acusações tinham motivações políticas e falavam em "sequestro".
Já ao regressar ao país, foi recebido como um herói nacional pelo então presidente e nomeado para ministro da Indústria, cargo que ocupou até janeiro deste ano.
A sua nomeação para tutelar a pasta em causa, com um papel económico central, foi muito criticada, não só pela oposição venezuelana, como também por analistas internacionais - que faziam questão de recordar o registo que 'trazia' dos EUA.
Desde então, Saab regressou à Venezuela e foi incorporado no governo com um papel económico central, atraindo críticas tanto de setores da oposição como de analistas internacionais, que consideraram a sua nomeação controversa, dado o seu registo judicial nos Estados Unidos.
A detenção desta quarta-feira acontece pouco mais de um mês depois de a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, a 3 de janeiro. O antigo presidente está agora numa prisão em Brooklyn, Nova Iorque. Está acusado, entre outros crimes, de narcoterrorismo.
Depois de se ter declarado inocente no final de janeiro, a próxima audiência irá acontecer a 17 de Março. Também a sua esposa, a ex-congressista Cilia Flores, está detida nos EUA (tendo sido levada juntamente com Maduro).
Desde esta captura, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo venezuelano de forma interina e tem vindo a aproximar-se das autoridades norte-americanas, com o presidente dos EUA, Donald Trump, a já ter elogiado o seu trabalho - afirmando, inclusive, que a venezuelana está a cooperar com os Estados Unidos. (RM /NMinuto)



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