China pede aos EUA a "libertação imediata" de Nicolás Maduro

Publicado: 04/01/2026, 12:36
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A China pediu hoje aos Estados Unidos a libertação imediata do Presidente da Venezuela que foi detido em Nova Iorque, depois de ter sido capturado numa operação militar norte-americana levada a cabo no sábado.

"A China pede aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, que os libertem imediatamente e que cessem os seus esforços para derrubar o Governo venezuelano", afirmou a diplomacia de Pequim.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China classificou a operação como uma "flagrante violação do direito internacional".

Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela", que capturou o Presidente venezuelano e a mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas.

O líder venezuelano já tinha sido formalmente acusado em 2020 pelo Ministério Público para o Distrito Sul de Nova Iorque, que no sábado apresentou novas acusações junto do mesmo tribunal.

Maduro está acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e crimes relacionados com armas automáticas.
No sábado, ainda antes da confirmação da captura do Presidente da Venezuela, a diplomacia chinesa já tinha condenado os ataques militares lançados pelas forças norte-americanas contra Caracas.

A China declarou-se "profundamente chocada" com a operação militar norte-americana e condenou o que descreveu como o "uso descarado da força" contra um país soberano.

No entendimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, estas acções violam gravemente o direito internacional, infringem a soberania da Venezuela e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e no Caribe.
A China, que mantinha uma relação diplomática e económica próxima com a Venezuela, reiterou a oposição a intervenções militares e defendeu os princípios da soberania estatal e da não ingerência nos assuntos internos de outros países.

A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda do líder da Venezuela, reeleito em Julho, numa votação contestada pela oposição.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou "profunda preocupação" com a recente "escalada de tensão na Venezuela", alertando que a acção militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela decidiu que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez deverá assumir a presidência interina, "de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação".

O tribunal não especificou quando Rodríguez deverá tomar posse.
A tomada de posse do novo parlamento, em funções até 2031 e dominada pelo regime leal a Maduro, estava marcada para segunda-feira.(RM/NMinuto)

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