Selma Uamusse traz mensagem de luz ao mundo com novo álbum

Publicado: 24/07/2020, 20:10
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A cantora moçambicana Selma Uamusse edita hoje "Liwoningo", álbum que traz uma mensagem de luz, que deveria ter sido apresentado em Março, mas que se tornou ainda mais urgente num tempo de adversidades que o mundo atravessa.

"Liwoningo" (que significa luz, na língua em chope), o segundo álbum de Selma Uamusse, cantora moçambicana há muito fixada em Lisboa e que se dedica à música há cerca de 20 anos, deveria ter sido editado em 27 de Março, mas a pandemia da covid-19 acabou por ditar o adiamento, "e, se calhar, ainda bem, porque dentro desta conjuntura provavelmente teria sido muito mais difícil mostrar o disco numa fase de recolhimento total".
Essa fase passou, mas a cantora contou, em entrevista à Lusa, que ainda ponderou adiar por mais tempo a edição de "Liwoningo", ao mesmo tempo que sentiu "alguma urgência em realmente mostrar este disco, que já se previa um bocadinho luminoso e que viria para trazer alguma luz".
Selma Uamusse lembra que "uma das maiores companhias e ferramentas para ultrapassar esta crise tem sido a música", por isso entende que "este é o momento para trazer luz, independentemente de como o mercado está a funcionar, independentemente da possibilidade de haver concertos ou não".
Embora os planos de edição do disco tenham sido alterados devido à pandemia da covid-19, o mesmo não aconteceu com o processo de criação e produção, visto que "Liwoningo" começou a ser gravado há dois anos, ainda o álbum de estreia, "Mati", não tinha saído.
A identidade da cantora é a mesma nos dois trabalhos, mas em "Liwoningo" "há um bocadinho mais de ousadia na forma como o disco é construído, na utilização de um novo instrumento [guitarra]. O próprio produtor, que foi muito ousado e fez um trabalho espectacular".
À semelhança de "Mati", também "Liwoningo" é interpretado em português, inglês, changana e chope
Mas o segundo disco traz duas novidades, uma música completamente cantada em português, "Khanimambo", e o acréscimo de mais uma língua moçambicana: o Emakwa.
Selma Uamusse é originária de Maputo, no Sul do país, e queria juntar ao disco uma língua que não fosse da sua região, "e tornou-se ainda mais pertinente ter uma canção de Cabo Delgado, que é uma região lindíssima que tem sofrido uma série de ataques terroristas e tem passado por uma situação muito complicada, nos últimos três anos".
O álbum já foi entretanto apresentado ao vivo, no sábado passado, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e o concerto "correu muitíssimo bem".
Nos últimos dois anos, Selma Uamusse tem tocado em Portugal, mas também fora, nomeadamente no Brasil e em Moçambique, mas este ano tal não deverá acontecer. No entanto, tem "dois concertos em Paris, em Novembro, uma participação e um concerto do disco".
Em Portugal, há "alguns concertos a começarem a ser marcados", e "Liwoningo" poderá ser ouvido ao vivo, pelo menos, em Ponte de Lima, novamente em Lisboa e em Viseu, "mas sempre neste contexto condicionado".
Em "Liwoningo", além dos músicos que habitualmente a acompanham ao vivo, Selma Uamusse contou com as participações musicais do músico da Gâmbia Mbye Ebrima (kora), do instrumentista moçambicano Chenny Wa Gune, de um quarteto de cordas brasileiro, da secção de sopros da banda brasileira Bixiga 70 e da cantora moçambicana Lenna Bahule. (RM /NMinuto)

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