Vacina chinesa usada em vários países ainda não foi revista para África

Publicado: 25/02/2021, 12:15
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O Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana (África CDC) disse esta quinta-feira que ainda não recebeu informação sobre as vacinas chinesas contra a covid-19, apesar de estarem a ser usadas em vários países.

 

"Ainda não recebemos o dossiê da China, mas continuamos optimistas que venham a submeter essa informação", disse o director do África CDC, John Nkengasong, durante a conferência de imprensa semanal sobre a pandemia.

O responsável adiantou que nos próximos dias os peritos da instituição de saúde pan-africana vão reunir-se para rever e avaliar os dados da vacina russa Sputnik V e que para breve está também a aprovação para o continente do imunizante da AstraZeneca, já aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Contactámos a Rússia, enviaram o dossiê e na próxima semana vamos começar a discutir e rever a vacina", disse.

A revisão da vacina russa vem na sequência do anúncio, da semana passada, de que a Rússia irá disponibilizar a África 300 milhões de vacinas Sputnik V, que poderão ser pré-encomendadas pelos países africanos na plataforma centralizada da União Africana.

A China tem estado a enviar vacinas, em larga medida sob a forma de ofertas, para vários países africanos, mas apesar de o África CDC já ter pedido os dados sobre a eficácia e a segurança do imunizante, Pequim ainda não os disponibilizou.

A vacinação já começou em vários países africanos, e, em pelo menos cinco, estão a ser usadas vacinas chinesas, segundo dados avançados pelo África CDC.

Egito, Marrocos, Senegal e Seicheles iniciaram programas de vacinação com vacinas da farmacêutica chinesa Sinopharm. Além destes, também o Zimbabué, Moçambique e a Guiné Equatorial anunciaram ter recebido ofertas de Pequim.

Na África do Sul, o programa de vacinação está a usar o imunizante da Jonhson & Johnson, e o Gana tornou-se na quarta-feira no primeiro país africano a receber vacinas do mecanismo Covax, liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Aliança para as Vacinas (Gavi).

A Argélia e a Guiné-Conacri estão a usar a vacina Sputnik V, enquanto Maurícias e Ruanda começaram a vacinar com doses da AstraZeneca/Oxford e da Pfizer/BionTech e Moderna.

"São os primeiros passos e todas as grandes viagens começam com os primeiros passos", disse John Nkengasong, adiantando que, nos próximos dias, o África CDC irá entregar a 20 países vacinas financiadas por uma empresa de telecomunicações privada que irão permitir imunizar três milhões de trabalhadores de saúde no continente.

Na mesma conferência de imprensa, o diretor do África CDC manifestou-se contra a possibilidade de criação de um passaporte de vacinas nesta fase, considerando que só servirá para aumentar as desigualdades.

"Vamos focar-nos primeiro em levar vacinas a toda a gente que precisa, vamos deixar que toda a gente esteja vacinada ao mesmo nível e, nessa altura, para prevenir o ressurgimento de novos vírus, admito que quem viaje tenha de ter essa certificação", disse.

"Não somos contra, mas primeiro vamos deixar que toda a gente seja vacinada. Se acontecer agora, será lamentável", acrescentou.

O director do África CDC considerou ainda que o mecanismo Covax "poderia ter ido mais longe" para assegurar uma distribuição mais equitativa das vacinas e sublinhou a necessidade de descentralizar este tipo de iniciativas.

"É importante ter mecanismos centralizados, mas no futuro seria importante ter estruturas regionais, e África, como um continente com 1,2 mil milhões de pessoas, tem de se organizar para criar capacidade regional de produção de vacinas e medicamentos", disse.

"Não podemos entregar a resposta às nossas necessidades de saúde a forças que não controlamos", sublinhou.

Neste contexto, advogou pela flexibilização da propriedade intelectual de vacinas e medicamentos que permitam o seu fabrico local.

Seria "um erro fatal" se o mundo desenvolvido tomasse a atitude de "vacinar o seu povo, e as pessoas noutras partes do mundo que tomem conta delas", disse, acrescentando que "não é do interesse de ninguém que continuemos nesta situação desigual".

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), sediado em Adis Abeba, Etiópia, o total de casos de covid-19 em África é de 3.856.581, com o continente a totalizar 102.470 mortes associadas à doença desde o início da pandemia. (RM-NM)

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