Prioridade para 2022 é combater "flagelos do terrorismo"

Publicado: 26/01/2022, 15:33
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O comissário dos Assuntos Políticos, Paz e Segurança da União Africana (UA), Bankole Adeoye, definiu esta quarta-feira como prioridade para 2022 combater "os flagelos do terrorismo" e do extremismo violento no continente, nomeadamente em Cabo Delgado, Moçambique.

 

Em entrevista ao Relatório do Conselho de Paz e Segurança, um projecto do Instituto de Estudos de Segurança, Adeoye disse que "o objectivo principal é construir a capacidade integrada do sistema da UA para combater a propagação do terrorismo e do extremismo violento nas cinco regiões do continente".

"Vamos colaborar com os Estados-membros, órgãos e parceiros da UA para abordar a segurança no Sahel, na Bacia do Lago Chade, na Líbia, no Corno de África e em Cabo Delgado, em Moçambique", afirmou o responsável pelo Departamento de Assuntos Políticos, Paz e Segurança (PAPS, na sigla em inglês).

O comissário disse esperar, em 2022, "mais tracção na nova estrutura do PAPS", e manifestou-se preparado "para canalizar todos os esforços para superar os obstáculos colocados pelos processos externos e internos para combater os flagelos do terrorismo, mudanças políticas antidemocráticas, insurgência e extremismo violento".

Questionado sobre como irá a UA melhorar as suas respostas às crises políticas, conflitos e extremismo violento que afectam o continente, Adeoye disse que "uma África livre de conflitos exige que a organização pan-africana invista nas suas ferramentas de diplomacia preventiva, usando uma abordagem pragmática para lidar com ameaças novas, emergentes e existentes".

E sublinhou o papel central do Conselho de Paz e Segurança (PSC), bem como da colaboração com as comunidades económicas regionais, como a Comunidade Económica dos Estados da África Central (ECOWAS) ou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

"Através destes e do envolvimento do presidente e da Comissão da UA, iremos constantemente envolver os atores para evitar que situações degenerem em conflitos violentos", afirmou.

Instado a fazer um balanço dos nove meses desde que assumiu funções em 15 de março, Bankole Adeoye prometeu que, quando completar um ano em funções, em março de 2022, apresentará um relato completo do que foi feito pelo seu gabinete "para a realização de uma África mais pacífica, segura e democrática".

No entanto elencou algumas mudanças, como a reformulação da missão de observação eleitoral da UA para refletir o equilíbrio etário e de género e a introdução de uma nova dimensão às missões de monitorização de eleições, focada na mediação e diplomacia preventiva, com sinais precoces de alerta para violência e instabilidade política.

Questionado sobre o crescente número de golpes militares em África, Adeoye admitiu que o reaparecimento destas crises "é preocupante", mas defendeu que o panorama democrático do continente "não é todo sombrio", sublinhando que houve eleições que decorreram com êxito em 2021, apesar da pandemia de covid-19.

"A trajetória democrática do continente é cada vez mais inclusiva e participada", disse, sublinhando que a UA "continua a manter a sua posição de tolerância zero para mudanças inconstitucionais de Governo".

Adeoye lembrou que "a democracia é um processo, não um acontecimento, e que uma África totalmente democrática é possível e imperativa para trazer paz duradoura". (RM-NM)

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