
A polícia da Venezuela disparou "de forma dissuasiva" contra drones que sobrevoavam a zona em torno do palácio presidencial de Caracas, na noite desta segunda-feira, afirmou fonte oficial à comunicação social.
O incidente ocorreu por volta das 20:00 (01:00 de hoje em Maputo), pouco mais de dois dias após a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos, no final de um ataque à capital.
"O que aconteceu no centro de Caracas foi devido a drones que sobrevoaram a zona sem autorização. A polícia disparou de forma dissuasiva. Não houve qualquer confronto", afirmou fonte oficial, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O país inteiro "está em perfeita tranquilidade", continuou.
"Pareciam detonações, muito próximas (…). Não soavam tão alto como o que aconteceu antes [no ataque de sábado]" explicou à AFP um morador, que vive a cinco quarteirões do palácio e que pediu para não ser identificado.
"A primeira coisa que me veio à cabeça foi ver se havia aviões a sobrevoar [o bairro], mas não. Só vi duas luzes vermelhas no céu. Durou cerca de um minuto. Todos olhavam pela janela para ver se havia um avião ou o que estava a acontecer", continuou.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver o que parecem ser balas traçantes (munições com uma carga pirotécnica na base e cuja trajetória é visível) em direção ao céu, rumo a um alvo invisível.
O incidente mobilizou várias forças de segurança ao redor do palácio, de acordo com os vídeos.
Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Maduro e a mulher prestaram na segunda-feira breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de Março.
A vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.
A União Europeia defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a acção militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região, mostrando-se preocupado com a possível "intensificação da instabilidade interna" na Venezuela. (RM /NMinuto)



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