Afeganistão. Tudo o que já aconteceu desde que talibãs tomaram o poder

Publicado: 21/08/2021, 20:01
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Principais acontecimentos desde que os talibãs entraram em Cabul, em 15 de Agosto, e assumiram o poder no Afeganistão, com base numa selecção da agência France-Presse.

Afeganistão. Tudo o que já aconteceu desde que talibãs tomaram o poder - Principais acontecimentos desde que os talibãs entraram em Cabul, em 15 de agosto, e assumiram o poder no Afeganistão, com base numa selecção da agência France-Presse.
- Os talibãs em Cabul -
Em 15 de agosto, os talibãs entram em Cabul e tomam o palácio presidencial, no final de uma ofensiva-relâmpago iniciada em maio, com a retirada das forças norte-americanas e dos seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), incluindo Portugal.
Em dez dias, os rebeldes do movimento xiita radical conseguem controlar todas as grandes cidades sem encontrarem muita resistência.
Um porta-voz dos insurrectos promete "um governo inclusivo".
À noite, o ex-vice-presidente Abdullah Abdullah anuncia que o Presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, tinha deixado o país.
"Os talibãs ganharam", admite Ghani no Facebook, explicando que tinha fugido para evitar um "banho de sangue".
- Caos no aeroporto -
No dia seguinte, começa a retirada de diplomatas, outros estrangeiros e afegãos ao seu serviço, numa operação organizada à pressa. Uma maré humana corre para o aeroporto de Cabul, dando origem a cenas de total anarquia.
As forças de segurança lutam para manter a ordem, dois homens são mortos por soldados norte-americanos e os voos são suspensos por várias horas, porque as pistas ficam inoperacionais.
Aviões militares de todo o mundo começam uma corrida contra o tempo para retirar milhares de pessoas do Afeganistão, incluindo 16 cidadãos portugueses.
Centenas de afegãos são filmados a correr ao lado de um avião de transporte militar dos Estados Unidos da América (EUA) e depois veem-se pelo menos dois corpos a cair quando o aparelho já está no ar.
- Biden defende a retirada dos EUA -
A China é o primeiro país a dizer que quer "relações amigáveis" com os talibãs.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adverte os talibãs contra a utilização do país como base para futuros ataques terroristas.
O Presidente dos EUA, Joe Biden, alvo de fortes críticas, defende firmemente a sua decisão de retirar as tropas norte-americanas, durante um discurso à nação.
A missão de Washington nunca foi a de construir uma nação democrática, mas sim "impedir um ataque terrorista em solo americano", afirma Biden.
- "Uma vergonha para o Ocidente" -
No dia 17, a chanceler alemã, Angela Merkel, diz estar aberta ao acolhimento "controlado" de refugiados "vulneráveis".
"As imagens do desespero no aeroporto de Cabul são uma vergonha para o Ocidente", diz o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.
- Regresso de Abdul Ghani Baradar-
Moscovo considera positivos os sinais enviados pelos talibãs e apela a um diálogo de "todas as forças políticas, étnicas e sectárias" do país.
O mullah Abdul Ghani Baradar, co-fundador e número dois dos talibãs, regressa de Doha ao Afeganistão, aterrando em Kandahar, a segunda cidade do país e 'berço' do seu movimento.
Na sua primeira conferência de imprensa, os talibãs asseguram que não procurarão vingar-se dos seus adversários, que são perdoados. "Estamos empenhados em deixar as mulheres trabalharem de acordo com os princípios do Islão", diz um porta-voz.
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrel, afirma que a União Europeia (EU) "terá de falar" com os talibãs porque eles "ganharam a guerra".
- Preocupação profunda com situação das mulheres -
O procurador do Tribunal Penal Internacional diz estar "particularmente preocupado" com as denúncias de crimes e execuções que possam "equivaler a violações do direito humanitário internacional".
No dia 18, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, adverte que os talibãs "serão julgados com base em acções e não em palavras".
A União Europeia e os Estados Unidos manifestam-se "profundamente preocupados" com a situação das mulheres, numa declaração co-assinada por 18 outros países.
A publicidade com mulheres nas montras de lojas em Cabul é tapada ou vandalizada.
- Ashraf Ghani "já não é uma pessoa que importa" -
Os funcionários talibãs encontram-se com os ex-presidentes Hamid Karzai e Abdullah Abdullah em Cabul.
Ashraf Ghani diz nos Emirados Árabes Unidos que apoia estas negociações, acrescentando que está "em discussões para regressar" ao seu país.
"Ele [Ghani] já não é uma pessoa importante no Afeganistão", diz a diplomacia norte-americana.
- Resistência -
No dia 19, o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, declara que estava a ser organizada uma resistência no vale de Panshir, a nordeste de Cabul, com o antigo vice-presidente Amrullah Saleh e Ahmad Massoud.
Este último, filho do comandante Massoud que foi assassinado em 2001 pela Al-Qaeda, exige o apoio norte-americano em termos de armas e munições.
Um documento confidencial da ONU mostra que os talibãs fazem "visitas selectivas" a afegãos e suas famílias que trabalharam com forças estrangeiras.
Os talibãs celebram o dia da independência do Afeganistão do Império Britânico (19 de agosto) com uma declaração de vitória contra os Estados Unidos, que consideram como "outro arrogante do poder no mundo".
Cidadãos afegãos desafiam o novo poder exibindo bandeiras tricolores do Afeganistão, em vez da bandeira branca dos talibãs.
- Colapso do Afeganistão deve ser evitado -
No dia 20, o Presidente russo, Vladimir Putin, apela para que se evite o "colapso" do Afeganistão e não se permita que os terroristas abandonem o país, inclusive fazendo-se passar por refugiados. Putin critica a política ocidental "irresponsável" de "imposição de valores estrangeiros" aos afegãos.
Dois dias antes, o Fundo Monetário Internacional tinha anunciado a suspensão da ajuda ao Afeganistão devido à incerteza sobre a liderança política em Cabul.
- Operação para retirar pessoas de Cabul entre as "mais difíceis da história" -
A NATO pede aos talibãs que permitam a saída de afegãos que queiram deixar o país. O secretário-geral, Jens Stoltenberg, admite que o principal desafio da operação é "assegurar que as pessoas possam chegar e aceder ao aeroporto".
Joe Biden diz não poder garantir o "resultado final" da operação de evacuação em Cabul, "uma das mais difíceis da história", mas assegura que os militares norte-americanos ficarão no país "até todos saírem", mesmo para lá do prazo previsto de 31 de agosto.
- Conversações para um "governo inclusivo" -
No dia 21, o mullah Baradar viaja para Cabul, onde a liderança do movimento se reúne para "estabelecer um governo inclusivo", de acordo com um alto responsável talibã. (RM /Minuto)

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